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Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Olímpia e região Diário de Olímpia
Justiça

Euripinho e Nuguete são absolvidos quase nove anos após tiroteio

Julgamento desta quinta encerrou a sequência dos cinco réus do processo desmembrado

Por Leonardo Concon · · 6 min de leitura

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DO DIÁRIO — Eurípedes Augusto de Mello, o Euripinho, e Elton Regis Albertino, conhecido como Nuguete, foram absolvidos nesta quinta-feira (10) pelo Tribunal do Júri da Comarca de Olímpia das acusações relacionadas ao tiroteio ocorrido em 2017 e que se transformou em um dos casos criminais de maior repercussão recente na cidade.

O resultado encerra o julgamento dos dois últimos réus do processo desmembrado. A defesa sustentou negativa de autoria e argumentou que nenhum dos dois participou do homicídio consumado, da tentativa de homicídio qualificado ou da associação criminosa que lhes eram imputados.

Durante os debates, o Ministério Público também concluiu que não havia elementos suficientes para sustentar uma condenação e pediu a absolvição dos réus.

A sessão foi presidida pelo juiz Wellington Urbano Marinho. A acusação ficou a cargo do promotor de Justiça Thiago Alain Xavier.

Ministério Público também pediu absolvição

Segundo o advogado Marco Antônio Santos, que falou ao Diário de Olímpia em nome da defesa após o julgamento, a banca concentrou a argumentação na ausência de participação de Euripinho e Nuguete nos crimes.

“A defesa sustentou a negativa de autoria, tanto do Eurípedes quanto do Elton Regis. Eles não tiveram qualquer participação em nenhum dos crimes imputados a eles, nem no homicídio consumado, nem no homicídio tentado qualificado e nem na associação”, afirmou.

No decorrer do julgamento, segundo Santos, o representante do Ministério Público avaliou as provas apresentadas e também se posicionou pela absolvição.

“O promotor entendeu que não havia provas suficientes para sustentar uma condenação, para afirmar com a certeza necessária que o Eurípedes e o Elton participaram, concorreram ou foram autores dos crimes”, relatou o advogado.

Além da negativa de autoria, a defesa apresentou subsidiariamente a tese de legítima defesa.

“O Ministério Público também entendeu nesse sentido e pediu a absolvição”, acrescentou Santos.

Conselho de Sentença absolveu os dois réus

Encerrados os debates entre acusação e defesa, os quesitos foram submetidos aos jurados que integravam o Conselho de Sentença.

O resultado foi a absolvição de Euripinho e Nuguete das imputações submetidas ao júri.

“Os jurados decidiram pela absolvição tanto do Euripinho quanto do Nuguete dos crimes que lhes eram imputados”, disse Marco Antônio Santos.

A decisão põe fim, nesta instância, a uma espera que atravessou quase nove anos desde o confronto ocorrido em julho de 2017.

Euripinho sustentava que era vítima do confronto

A tese apresentada pela defesa nesta quinta mantém a versão que Euripinho vinha sustentando publicamente e que detalhou em entrevista exclusiva concedida anteriormente ao Diário de Olímpia.

O empresário e corretor de terras afirmava que não participou da discussão nem da troca de tiros.

Segundo sua versão, estava no piso superior da residência quando foi atingido no próprio quarto por um disparo que atravessou uma porta.

Euripinho sofreu grave ferimento no braço e, segundo relatou ao Diário, perdeu grande quantidade de sangue. “Levei um tiro dentro do meu quarto, de pijama, sem dever um centavo para ninguém”, afirmou na entrevista.

A defesa utilizou a condição de Euripinho durante o confronto para sustentar que ele não havia concorrido para os crimes ocorridos na área externa do imóvel.

Defesa afirmou que Nuguete era motorista e estava desarmado

Em relação a Nuguete, os advogados sustentaram que ele também não participou da troca de tiros. A versão apresentada pela defesa é de que Elton Regis estava no local na condição de motorista e havia transportado pessoas até a residência de Euripinho.

Segundo os advogados, Nuguete não estava armado e não efetuou disparos. A banca também vinha argumentando que, depois do confronto, ele procurou ajuda e foi até a delegacia.

Esses elementos foram utilizados para sustentar a negativa de autoria apresentada ao Conselho de Sentença.

Cobradores na tocaia da antiga casa de Euripinho

Caso começou com cobrança em 2017

O episódio que deu origem aos sucessivos julgamentos ocorreu em 11 de julho de 2017, na Rua Senador Virgílio Rodrigues Alves, em Olímpia.

Márcio Aparecido Macri e Leandro Ribas da Silva, de São José do Rio Preto, foram até o endereço onde estava Euripinho em razão da cobrança de uma dívida atribuída ao empresário.

Euripinho sempre contestou a existência do débito naquele momento. Em entrevista ao Diário, afirmou que a dívida já havia sido quitada.

Uma discussão ocorrida no local evoluiu para confronto e disparos de arma de fogo.

Leandro Ribas foi atingido na cabeça e morreu posteriormente.

Euripinho também foi baleado no braço. Outros envolvidos ficaram feridos.

As diferentes versões sobre quem efetuou os disparos e a participação de cada pessoa presente passaram a ocupar o centro dos processos judiciais que se seguiram.

Um processo, cinco réus e três júris

A ação envolvendo os acusados do grupo de Olímpia acabou desmembrada, levando cinco réus a julgamentos separados em três sessões do Tribunal do Júri.

Paulo Sérgio Vieira, o Paulinho, foi julgado primeiro. Ele foi condenado a 9 anos e 4 meses de reclusão pela tentativa de homicídio contra Márcio Macri, mas absolvido da acusação de homicídio contra Leandro Ribas e da associação criminosa.

Depois, Emerson Aliseu Pereira, o Nim Peão, e Laércio Marques foram levados ao Conselho de Sentença e absolvidos.

O julgamento de Euripinho e Nuguete completou nesta quinta-feira a sequência dos cinco acusados.

Com o resultado, dos cinco réus levados ao júri neste processo desmembrado, quatro foram absolvidos. Paulinho foi o único condenado, e sua condenação ficou restrita à tentativa de homicídio.

Julgamento já havia sido adiado

Euripinho e Nuguete deveriam ter sido julgados anteriormente, mas a sessão não pôde prosseguir por falta de quórum.

Na ocasião, havia inicialmente 15 jurados, número mínimo previsto para a instalação dos trabalhos. Durante o procedimento, porém, um deles declarou impedimento por manter contato com familiares de um integrante da defesa.

Com sua exclusão, restaram 14 jurados aptos, quantidade insuficiente para a realização do plenário.

O julgamento chegou a ser redesignado para 18 de fevereiro de 2027, mas posteriormente recebeu a nova data desta quinta-feira, 10 de setembro.

Bancas atuaram na defesa

A defesa dos dois réus reuniu três equipes de advocacia.

Atuaram Galibi Jorge Tanuri; Wilquem Neves; e a equipe da MS Advocacia, integrada por Marco Antônio Santos, Ana Beatriz Campos e Arnaldo Galbeiro.

Após o julgamento, Marcos Santos afirmou que a decisão correspondeu à expectativa da defesa de que o Conselho de Sentença reconhecesse a ausência de elementos para responsabilizar Euripinho e Nuguete pelos crimes.

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