As exigência do seguimento, por bispo Dom Milton Kenan Jr.
Passada a Páscoa, o bispo Dom Milton reforça os textos do evangelho de Lucas nas celebrações

Dom Milton Kenan Jr. — Ao retomarmos o ritmo normal da vida litúrgica da Igreja, depois da celebração dos tempos fortes da Quaresma e Páscoa, que culminaram com a vinda do Espírito Santo em Pentecostes, a Igreja nos apresenta novamente os textos do evangelho de Lucas nas celebrações dominicais.
Hoje, nós nos encontramos diante do relato da confissão de Pedro sobre a identidade de Jesus, seguido do primeiro anúncio da paixão de Jesus e o reforço das exigências para o discipulado. Lucas nos diz que Jesus se encontrava em oração, num lugar retirado, junto com os seus discípulos (v. 18a). A oração é um dos temas mais caros a Lucas. Ele faz questão de apresentar Jesus em oração nos momentos mais importantes da sua vida. Por meio da oração, Jesus cultivava a intimidade com o Pai e fortalecia-se no cumprimento da sua missão.
Foi justamente num momento de oração que Jesus pergunta aos discípulos sobre a opinião que as pessoas têm a seu respeito. Parece, no entanto, que a pergunta sobre a opinião do povo a seu respeito era apenas um pretexto. O que realmente interessava a Jesus, naquele momento, era a imagem que os discípulos tinham d’Ele e do seu projeto. Daí a pergunta dirigida a eles, prontamente respondida por Pedro: “O Cristo de Deus” (v. 20).
Embora a resposta de Pedro fosse correta, ela refletia uma visão limitada do apóstolo sobre Jesus. Para Pedro, Jesus era o Cristo que haveria de salvar o seu povo da dominação estrangeira, como um guerreiro esperado, e não como o Messias Servo, destinado ao sofrimento, à rejeição, à morte e à ressurreição. Por isso, Jesus ordenou que não contassem a ninguém (v. 21), e logo a seguir faz o primeiro anúncio da paixão. O sofrimento e a morte a que Jesus se submete serão a expressão da sua fidelidade ao Pai e ao seu projeto de instaurar o Reino.
Na sequência, Jesus apresenta as exigências do discipulado: renunciar a si mesmo, tomar a cruz cotidianamente e segui-lo (v. 23). Três exigências bastante difíceis: renunciar a si mesmo corresponde a deixar que Cristo se torne o critério das escolhas e decisões, e não a si mesmo; tomar a cruz significa assumir as consequências difíceis e, se necessário, a perseguição por manter-se fiel ao Mestre; e segui-lo é o mesmo que repetir os seus gestos e caminhar no caminho que Ele caminhou.
Por fim, o critério decisivo é estar disposto a perder a vida por causa d’Ele, para poder salvar-se. Jesus ainda hoje continua a interrogar-nos e fazer-nos as mesmas exigências que fez aos Doze que o seguiam. Cabe a nós responder ao que Ele nos pergunta, não só com as palavras, mas com a nossa vida.
- Por Dom Milton Kenan Júnior, Bispo de Barretos. Ele escreve aos domingos no Diário.












