Em entrevista, Charles Amaral reage às reclamações da Área Azul e Sabesp
Em entrevista à Rádio Cidade e IFolha, disse que usuário enfrenta atendimento “desumano”

DO DIÁRIO — As reclamações sobre a Área Azul e a Sabesp dominaram a entrevista concedida pelo vereador Charles Amaral Ferreira, líder do prefeito Geninho Zuliani na Câmara Municipal, à Rádio Cidade e ao jornal IFolha, nesta quinta-feira (21). Durante a conversa com os apresentadores Bruna e José Antonio Arantes, o parlamentar afirmou que os dois contratos se transformaram “em focos permanentes de desgaste para moradores e comerciantes de Olímpia”.
Logo no início da entrevista, Arantes classificou a situação da Área Azul como “uma verdadeira arapuca para os motoristas” e afirmou nunca ter visto “uma situação tão descabida” envolvendo estacionamento rotativo na cidade.

Charles respondeu dizendo que as reclamações acompanham o mandato desde o período eleitoral. “Quando era ordenado pela Proden existia um diálogo maior. Com a terceirização houve uma robotização do serviço”, afirmou.
Segundo ele, comerciantes, entregadores, motoristas de aplicativo e moradores da região central continuam relatando notificações rápidas e dificuldade de diálogo com a concessionária.
“Isso está acabando com o centro”, diz Arantes
Durante a entrevista, Arantes relacionou o crescimento do comércio no Vale do Turismo à perda de movimento no centro da cidade e afirmou que a Área Azul agravou esse cenário.

“O povo não vai mais ao comércio. Isso está acabando com a cidade”, disse o apresentador.
Charles concordou que o modelo atual prejudica principalmente pequenos comerciantes e trabalhadores de aplicativos. Ele lembrou que uma de suas primeiras ações como vereador foi pedir tolerância para carga e descarga rápida, o que levou à criação das chamadas “vagas verdes”.
Mesmo assim, afirmou que o sistema continua distante do ideal. “O cara entrega um lanche e ganha R$ 4 ou R$ 5. Como vai pagar Área Azul para fazer entrega?”, questionou.
Câmara busca elementos para rever contrato
O vereador afirmou que a Câmara vem reunindo reclamações, documentos e questionamentos jurídicos para tentar rever o contrato da concessionária.
Segundo ele, vereadores como Luiz Salata, Marcelo da Branca, Otávio Hial e Sargento Barrera também participam das discussões.
“Nós já encontramos falhas no processo licitatório. A ideia é buscar uma forma jurídica de rever ou cancelar esse contrato”, afirmou.

Sabesp concentrou parte mais dura da entrevista
A parte mais extensa da conversa foi dedicada à Sabesp. Arantes classificou a situação como “caos” e afirmou nunca ter visto “uma bagunça dessas num serviço público”.
Charles relatou casos de cobrança duplicada, ameaças de corte e contas consideradas incompatíveis com o consumo. Entre os exemplos citados, mencionou um morador que teria pago a conta antecipadamente, mas continuou recebendo aviso de corte.
Segundo ele, ao procurar atendimento presencial, o consumidor ouviu que deveria pagar novamente para evitar a suspensão do serviço. “Isso deixa a pessoa sem chão. É uma afronta direta à dignidade dela”, afirmou.

Ao longo do programa, ouvintes encaminharam novos relatos. Um deles mencionou contas entre R$ 1,5 mil e R$ 1,8 mil. Outro relatou água com areia em bairro da cidade.
Bruna destacou durante a entrevista que “muitas pessoas evitam denunciar por medo de retaliação”. Charles respondeu dizendo que moradores precisam documentar os problemas e encaminhar fotos, vídeos e contas para vereadores e imprensa.
“A população não precisa ter medo de denunciar”, afirmou.
Vereador quer TAC e reunião com órgãos fiscalizadores
Charles afirmou que a Câmara pretende realizar uma reunião com representantes da Sabesp, da agência reguladora Ares-PCJ, vereadores, Prefeitura e Ministério Público.
A intenção é discutir medidas imediatas e formalizar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). Segundo ele, o objetivo é criar mecanismos para impedir cobranças indevidas e melhorar o atendimento.
“O serviço público existe para atender a população. Se isso não está acontecendo, algo precisa mudar”, declarou.

Privatização voltou ao centro do debate
Durante a entrevista, Charles voltou a criticar a venda do antigo Daemo, realizada na gestão anterior. Segundo ele, Olímpia perdeu autonomia sobre um sistema que conhecia a realidade local e tinha equipes técnicas experientes.
“Até hoje eu não consigo entender o motivo da venda”, disse.
Arantes também afirmou que a privatização da Sabesp teria agravado os problemas após a mudança para controle privado.

Apesar das críticas, Charles ressaltou que equipes operacionais responsáveis por reparos emergenciais têm atendido demandas encaminhadas pela Câmara.
Ao final da entrevista, o vereador afirmou acreditar que ainda existe caminho para melhorar os serviços, mas disse que isso dependerá de pressão política, fiscalização e atuação conjunta dos órgãos públicos.













