Energia sob risco: queimadas provocam recorde de apagões e CPFL reage
Mais de 26 mil focos de queimadas atingiram rede elétrica da CPFL em 2024

DA REDAÇÃO — Com quase 900 interrupções no fornecimento de energia elétrica provocadas por queimadas somente em 2024, a CPFL Paulista intensificou suas ações de prevenção e resposta a incêndios próximos à rede elétrica na região de Ribeirão Preto. As medidas, adotadas diante do avanço da temporada seca, buscam evitar danos à infraestrutura e garantir a continuidade do serviço em meio ao risco climático.
A mobilização envolve o trabalho conjunto com prefeituras, órgãos públicos e consultorias especializadas, como a Ampere, que apoia a distribuidora com análises de risco baseadas em mapas, dados meteorológicos e previsões climáticas. Além disso, estão em andamento planos de inspeção, manutenção, manejo de vegetação e até mesmo relocação de linhas em áreas críticas.
“A rede de distribuição é vítima em casos de queimadas. Mesmo sem contato direto com o fogo, a fumaça, fuligem e o calor intenso podem causar curtos-circuitos e rompimento de cabos”, explica Roberto Sartori, diretor-presidente da CPFL Paulista. “A meta é ampliar as ações preventivas e garantir uma resposta rápida diante dos eventos, mantendo o fornecimento de energia mesmo sob adversidades”.
Segundo Sartori, a situação ainda exige atenção nos próximos meses. “Dados científicos indicam um cenário preocupante. Reforçamos nosso compromisso com a segurança do sistema elétrico e o bem-estar das comunidades”, afirma.
Educação e conscientização contra incêndios
Além da estrutura operacional, a distribuidora investe em ações educativas junto a comunidades e produtores rurais. Por meio da campanha Guardião da Vida, são promovidas orientações sobre os riscos das queimadas, muitas delas iniciadas por ação humana, acidental ou intencional.
“Trabalhamos de forma integrada com foco na prevenção. Combater queimadas é responsabilidade de todos, e proteger a rede elétrica significa proteger as comunidades que dela dependem”, diz Sartori.
Tríade do fogo e o papel do clima
O meteorologista Bruno Capucin, da Ampere, ressalta que as condições climáticas típicas do inverno — baixa umidade, calor e ventos fortes — favorecem o aumento dos focos de incêndio. Embora as projeções para 2025 sejam menos severas que as de 2024, a seca em regiões como o Cerrado continua preocupando.
“O bioma Cerrado segue sob alerta, com áreas em seca moderada. A ausência de fenômenos como El Niño e La Niña pode favorecer uma retomada das chuvas dentro da normalidade na primavera, o que é positivo”, avalia Capucin. Ainda assim, ele alerta: “uma simples bituca de cigarro ou a queima de mato em terrenos podem dar início a incêndios de grandes proporções”.
Recorde de queimadas em 2024
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que agosto e setembro de 2024 tiveram o maior número de focos ativos de incêndio já registrados no estado de São Paulo desde 1998. Foram 3.612 ocorrências em agosto (926% a mais que em 2023) e 2.522 em setembro (alta de 572%).
Já o levantamento da Operação SP Sem Fogo, do Governo do Estado, apontou 185.444 focos de incêndio ao longo do ano. Desses, 26.335 (14,2%) ocorreram a até 200 metros da rede elétrica nas cidades atendidas pela CPFL Paulista.
Região em estado de emergência
A mesorregião de Ribeirão Preto foi incluída, desde fevereiro, em uma portaria do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima como uma das áreas com maior risco para incêndios florestais. A região foi colocada em estado de emergência de março a novembro, com prioridade para ações de combate ao fogo.













