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Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Olímpia e região Diário de Olímpia
Saúde

Santa Casa de Olímpia inicia ampliação de R$ 29 milhões para novos 70 leitos

Projeto de 3,5 mil metros quadrados também amplia centro cirúrgico, UTI e hemodiálise

Por Leonardo Concon · · 7 min de leitura

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LEONARDO CONCON — A Santa Casa de Olímpia começou nesta quarta-feira (2) a maior ampliação de sua estrutura em quase seis décadas. O projeto prevê investimento municipal de quase R$ 29 milhões, construção de 3,5 mil metros quadrados e abertura de 60 novos leitos, além da reforma de uma área para outros 12 leitos. Texto e fotos Diário de Olímpia

A capacidade do hospital deverá passar dos atuais 83 ou 84 leitos para cerca de 150. A obra também elevará de três para oito o número de salas cirúrgicas, ampliará a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e poderá mais que dobrar a estrutura de hemodiálise.

O lançamento da pedra fundamental ocorreu na área da Santa Casa onde será erguido o novo prédio. Participaram do anúncio o prefeito Geninho Zuliani; o vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Márcio Iquegami; o provedor do hospital, Claudinei Queiroz; e o diretor da Brasgips Construções Corporativas, Rafael Borges.

A empresa paranaense, especializada em obras hospitalares, foi contratada pela Santa Casa após processo de seleção. O prazo anunciado para a ampliação principal é de 18 meses. O Diário retransmitiu para redes sociais Facebook e YouTube:

Recursos da concessão da água financiarão a obra

Os quase R$ 29 milhões sairão dos recursos municipais obtidos com a concessão dos serviços de água e esgoto à Sabesp. Segundo Geninho, o dinheiro permanece aplicado e será liberado conforme as medições e o avanço da obra.

“A Prefeitura está investindo quase R$ 29 milhões. A origem desse dinheiro é da concessão para a Sabesp, que está aplicado no banco e é garantido para fazer os pagamentos durante todas as medições”, afirmou o prefeito.

Outros R$ 10 milhões foram prometidos pelo Governo do Estado para a compra de equipamentos. Esse valor não integra o contrato da construção.

“Não adianta construir o prédio. A gente precisa equipar esse espaço e precisa de mão de obra também, porque o serviço vai aumentar”, disse Márcio Iquegami.

Geninho admitiu que o custo dos equipamentos poderá superar a previsão inicial. “Eu acho que não vai dar. Em algum momento, nós vamos ter que voltar ao Governo do Estado para pedir um aditivo nesses R$ 10 milhões”, declarou após o lançamento da pedra fundamental.

Hospital terá 60 novos leitos

A ampliação principal terá dois pavimentos e acrescentará 60 leitos ao hospital. Também será criado um pronto atendimento referenciado com acesso pela Rua Benjamin Constant.

Além do novo prédio, uma área interna onde funcionava o Centro de Endoscopia será reformada para receber 12 leitos. Esta etapa tem prazo menor, estimado em seis meses.

De acordo com Claudinei Queiroz, os primeiros 12 leitos deverão ajudar a reduzir a espera de pacientes que precisam deixar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para serem internados na Santa Casa.

“Essa obra deve estar pronta em seis meses para a gente desafogar a UPA e começar a atender o pessoal”, afirmou o provedor.

Ele explicou que a Santa Casa tem reorganizado quartos e acelerado altas hospitalares para liberar vagas, mas ainda enfrenta restrição de espaço.

“A gente tem tentado receber o mais rápido possível, girado o leito e adequado os quartos para não deixar ninguém na fila de espera. Nem sempre conseguimos porque o hospital é pequeno”, disse.

Centro cirúrgico passará de três para oito salas

Uma das mudanças mais expressivas ocorrerá no centro cirúrgico. O número de salas deverá passar de três para oito.

A UTI, que atualmente funciona com sete leitos, será ampliada para dez. A estrutura projetada terá sete leitos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS), dois para convênios e um de isolamento. Hoje, segundo Márcio, quatro leitos da unidade são destinados ao SUS.

“A gente praticamente dobra a capacidade da UTI”, afirmou o secretário.

Márcio explicou que a falta de espaço impede a Santa Casa de aderir a programas estaduais e federais destinados à ampliação das consultas, exames e cirurgias especializadas.

“Todo mundo já ouviu falar dos programas do Governo do Estado e do Governo Federal, mas a gente não tem espaço físico para implementar novos serviços médicos”, disse.

O secretário também relacionou a expansão à necessidade de preparação do município para o funcionamento do futuro aeroporto internacional. Segundo ele, a estrutura hospitalar deverá ter capacidade para responder a eventuais emergências de maior proporção.

Márcio Iquegami com o presidente da Câmara, Flávio Olmos

Hemodiálise poderá atender mais de 100 pacientes

A hemodiálise dispõe atualmente de 11 cadeiras e atende cerca de 60 pacientes. Com a nova estrutura, o hospital poderá instalar até 24 cadeiras, embora o planejamento inicial seja operar com 20.

A estimativa apresentada é elevar a capacidade para mais de 100 pacientes.

“Foi preciso suprimir leitos para arrumar espaço dentro da Santa Casa. O corpo físico do hospital não comportava mais os serviços, por isso a importância dessa obra”, afirmou Márcio.

A implantação da hemodiálise, da sala de trauma e de outros serviços reduziu gradualmente a quantidade de leitos disponíveis. O hospital chegou a ter entre 110 e 115 leitos no início dos anos 2000, segundo o secretário.

Primeira ampliação desde a década de 1960

A nova ala será a primeira grande expansão da Santa Casa desde a construção da maternidade, concluída no fim da década de 1960.

O hospital completará 100 anos em 2027. Apesar da proximidade do centenário, o cronograma de 18 meses projeta a conclusão da obra principal para março de 2028.

“É a primeira vez, desde a década de 60, que a Santa Casa vai passar por uma ampliação”, afirmou Márcio, que declarou o seu amor pelo  hospital, emocionando-se.

Geninho disse que o investimento busca recuperar uma defasagem entre o crescimento da cidade e a capacidade do único hospital atualmente em funcionamento em Olímpia.

“Estamos falando de quase dobrar a capacidade da nossa Santa Casa, que atende a cidade e a microrregião”, declarou.

Santa Casa atende quase 90% pelo SUS

Claudinei Queiroz destacou que a Santa Casa é uma entidade privada e filantrópica, embora mantenha contratos e receba recursos públicos para prestar serviços à população.

No primeiro semestre deste ano, quase 90% dos atendimentos foram realizados pelo SUS. Segundo o provedor, essa proporção dificulta o equilíbrio financeiro, pois os pagamentos da tabela federal não cobrem integralmente os custos.

“A população costuma achar que a Santa Casa é da Prefeitura. Na verdade, é uma entidade privada filantrópica que presta serviços de saúde”, explicou.

Queiroz afirmou que o repasse municipal ao hospital aumentou cerca de 30% desde 2025. Ele também disse que o processo de contratação da construtora está disponível no portal da transparência da Santa Casa.

Embora a instituição não estivesse sujeita ao mesmo procedimento de contratação da administração direta, a direção utilizou regras da legislação de licitações por se tratar de dinheiro público.

Unimed fará expansão separada

Paralelamente à obra financiada pelo município, a Unimed deverá construir uma unidade com pouco menos de mil metros quadrados na antiga área do hemocentro.

O investimento privado foi estimado entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões. A área foi alugada pela Santa Casa, mas o prédio construído permanecerá como patrimônio do hospital.

Segundo Claudinei, o projeto pretende ampliar o atendimento aos usuários de planos de saúde e gerar receita para ajudar no custeio dos serviços prestados pelo SUS.

Hoje, aproximadamente 90% dos atendimentos são públicos e 10% particulares ou de convênios. A administração do hospital pretende aumentar a participação da saúde suplementar sem reduzir a assistência pelo SUS.

Empresa usará construção industrializada

Rafael Borges explicou que a Brasgips utilizará estrutura metálica e um sistema construtivo industrializado. Parte das paredes e dos demais componentes será produzida fora do hospital e levada pronta para montagem.

O método busca reduzir barulho, sujeira e interferências sobre pacientes e profissionais durante os 18 meses de trabalho.

“Estamos trabalhando em um ambiente hospitalar, que requer silêncio. Não existe obra sem barulho, mas existe obra com menos barulho”, afirmou.

Segundo Borges, a industrialização de parte da construção fora do canteiro é o que permite manter o prazo previsto.

“A gente fabrica boa parte fora, em ambiente controlado, traz os materiais e faz a pré-montagem. Com isso, conseguimos atingir os 18 meses com menos interferência nos pacientes”, disse.

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