Diário comprova a crise no Hemocentro de Olímpia: faltam doadores e sangue
Com 30% a menos de doações, unidade faz apelo urgente para reposição de estoques

REPORTAGEM DO DIÁRIO — O Hemocentro de Olímpia está enfrentando uma das maiores crises de sua história, com uma redução significativa de 30% nas doações de sangue. Em entrevista ao Diário de Olímpia, Edrene Martins da Silva, agente de captação da unidade, destacou a gravidade da situação, que afeta não apenas Olímpia, mas toda a rede regional. Confira a reportagem em vídeo:
“Temos observado que muitas pessoas deixam de doar por problemas de saúde causados pelo clima, como rinite e sinusite. Isso acaba impactando diretamente a nossa capacidade de manter os estoques regulares”, explicou a Agente de Captação.
A redução das doações tem um efeito imediato nos atendimentos, já que o sangue coletado na unidade de Olímpia é enviado para a sede do Hemocentro em Ribeirão Preto, onde é processado e submetido a rigorosos exames, antes de ser devolvido para uso em transfusões locais. “O sangue sai daqui ao meio-dia para ser analisado em Ribeirão. Todos os exames necessários, como os de HIV, hepatite, sífilis e malária, são feitos lá, garantindo que o sangue transfundido esteja seguro para o paciente”, detalhou Edrene.

Tipos de sangue em falta
Atualmente, os tipos sanguíneos O positivo, O negativo e A negativo são os mais urgentes. Esses tipos, que costumavam ser mais comuns entre os doadores, têm estado em falta devido ao aumento da demanda por conta de acidentes e cirurgias de urgência. “Temos visto muitos acidentes e cirurgias complexas. Isso aumenta a necessidade de sangue. E, infelizmente, o sangue não pode ser fabricado. Ele depende exclusivamente de doadores”, frisou.

Edrene fez questão de lembrar que, apesar da crise, a unidade tem se esforçado para garantir que nunca falte sangue para um paciente em estado crítico, mesmo que isso signifique recorrer ao envio de ambulâncias para buscar bolsas em Ribeirão Preto. “Nós fazemos tudo o que está ao nosso alcance. Quando necessário, pedimos o apoio da ambulância municipal para buscar sangue. Mas é fundamental que os estoques estejam sempre abastecidos”, reforçou.
Dificuldades operacionais e horários limitados
Além da queda nas doações, o Hemocentro de Olímpia enfrenta limitações operacionais. O atendimento acontece apenas no período da manhã, das 7h ao meio-dia, de segunda a sábado. Segundo Edrene, essa restrição ocorre pela falta de equipe disponível para manter um segundo turno. “Precisamos garantir que o sangue coletado seja enviado a Ribeirão para análise ainda no mesmo dia, por isso nosso atendimento é concentrado nesse período. A partir do meio-dia, o sangue já está a caminho da sede para ser processado”, explicou.

Esse horário reduzido também limita o número de doadores que conseguem comparecer. “Após o almoço, a pessoa precisa esperar de três a quatro horas antes de poder doar. Como não temos equipe suficiente para funcionar em dois turnos, precisamos nos adequar a essa realidade”, disse.
Apelo à comunidade e às empresas
Edrene aproveitou para fazer um apelo à população de Olímpia, enfatizando que a doação de sangue é um ato essencial para salvar vidas. Ela destacou que, além de ajudar outras pessoas, os doadores também recebem uma série de exames gratuitos que garantem a saúde do próprio doador. “Quem doa sangue tem acesso aos resultados de exames como HIV, hepatite e sífilis, além de saber que está ajudando a salvar vidas. É importante lembrar que o sangue pode ser doado por pessoas entre 18 e 70 anos, desde que estejam saudáveis”, explicou.

Ela também chamou a atenção para a importância de empresas, faculdades e órgãos públicos, como Corpo de Bombeiros, Polícia e Guarda Civil Municipal, incentivarem a doação entre seus membros. “Se cada entidade se conscientizar da importância de doar, conseguiremos reverter essa crise. Não podemos deixar nossos estoques zerados”, alertou.
Impacto da crise
Apesar dos esforços para evitar o desabastecimento, a realidade é preocupante. Durante a visita do Diário de Olímpia, foi possível verificar a geladeira do Hemocentro quase vazia, com apenas algumas bolsas de sangue coletadas. “É triste ver as cadeiras de doação vazias. O ideal seria que elas estivessem sempre ocupadas, mas, infelizmente, não é o que estamos vendo”, lamentou Edrene.
A unidade de Olímpia conta com um grupo fiel de doadores recorrentes, como um cidadão que já realizou 84 doações, mas isso não é suficiente para suprir a demanda crescente. “Temos doadores fiéis, mas eles precisam respeitar o intervalo entre uma doação e outra. No caso dos homens, esse intervalo é de três meses; no das mulheres, de quatro meses”, explicou.

Como doar
A doação de sangue em Olímpia pode ser realizada de segunda a sábado, das 7h ao meio-dia, no Hemocentro localizado ao lado da Santa Casa. Não é necessário agendar previamente, e as pessoas podem comparecer diretamente na unidade.

Os doadores recebem um lanche após a coleta, além de um atestado para apresentar em seus locais de trabalho, garantindo o benefício legal de dispensa no dia da doação.

“É um processo rápido, leva de 7 a 15 minutos para coletar 450 ml de sangue. Esse tempo pode salvar a vida de alguém”, concluiu Edrene, reforçando a importância da mobilização comunitária para evitar um colapso no fornecimento de sangue.













